A liderança não precisa ser solitária. Bem-vinda ao Conexões.

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A liderança não precisa ser solitária.
Bem-vinda ao Conexões.

Conectar mentes, ideias e grandes negócios. Um ecossistema B2B focado na construção de relacionamentos autênticos que transformam o mercado.

Patrícia Magalhães
A Anfitriã

Conheça Patrícia Magalhães

CEO da Editora AMO, jornalista e especialista em unir pessoas através de boas histórias. Com mais de uma década de experiência no mercado, o seu verdadeiro propósito é criar conexões humanas autênticas que geram inovação, pontes e parcerias duradouras.

Entrevista de Destaque

Salvador além do cartão-postal

Em entrevista ao AMO Conexões por Patrícia Magalhães, Gegê Magalhães fala sobre turismo, pertencimento, Centro Histórico, economia criativa e o novo momento de Salvador.

Gegê Magalhães
Gegê Magalhães Diretor de Turismo

Salvador vive um novo ciclo. Mais do que números recordes no turismo, a cidade passou a ocupar novamente espaço estratégico nas agendas nacionais e internacionais do setor. E nos bastidores desse movimento, um nome ganhou protagonismo: Gegê Magalhães.

Diretor de Turismo de Salvador, Gegê participou diretamente do reposicionamento da capital baiana nos últimos anos, apostando em cultura, ancestralidade, experiência urbana e fortalecimento da identidade local como motores econômicos. Em entrevista ao AMO Conexões por Patrícia Magalhães, ele fala sobre sua trajetória, o amor pela cidade, os desafios do turismo contemporâneo, a revitalização do Centro Histórico e o futuro de Salvador no cenário global.

Gegê Magalhães - Salvador
Gegê Magalhães - Centro Histórico

P.M Você costuma repetir uma frase que acabou virando quase uma marca sua: “Salvador, o que nos conecta é o coração”. Quando nasceu isso?

Gegê Magalhães: Nasceu de uma relação muito verdadeira que tenho com Salvador. Eu sempre enxerguei essa cidade além da beleza natural. Salvador é sentimento, memória, pertencimento. O coração virou um símbolo exatamente porque traduz essa conexão afetiva que as pessoas têm com a cidade. E quando você entende isso, percebe que emoção também movimenta economia, turismo, cultura e desenvolvimento.

P.M Você acredita que Salvador passou a se vender de forma diferente para o mundo?

Gegê Magalhães: Sem dúvida. Durante muito tempo, Salvador foi promovida apenas pelo cartão-postal. E claro que temos uma beleza única. Mas hoje o turista busca experiência, identidade, autenticidade. Salvador tem ancestralidade, música, gastronomia, fé, diversidade, cultura popular viva. A cidade passou a entender que sua maior riqueza sempre foi sua essência.

P.M Os números ajudam a mostrar esse novo momento da cidade.

Gegê Magalhães: Sim. Em 2025, Salvador alcançou 9,7 milhões de turistas e movimentou R$ 21,5 bilhões na economia. Tivemos crescimento da ocupação hoteleira, aumento de passageiros internacionais e fortalecimento da presença global da cidade. Mas, para mim, mais importante do que os números é perceber que Salvador voltou a disputar mercado de forma profissional, estratégica e competitiva.

“O coração virou um símbolo porque traduz essa conexão afetiva. E quando você entende isso, percebe que emoção também movimenta economia, turismo e desenvolvimento.”

P.M Sua relação com cultura e entretenimento começou muito antes da política institucional.

Gegê Magalhães: Muito antes. Ainda muito jovem eu já vivia o universo da produção cultural, dos eventos e da articulação social. Conviver com artistas, produtores e grandes movimentos culturais me ensinou algo muito importante: cidades que transformam cultura em experiência conseguem transformar identidade em desenvolvimento econômico.

P.M O Centro Histórico sempre aparece muito forte quando você fala da cidade.

Gegê Magalhães: Porque o Centro Histórico é alma. Salvador nasceu ali. E quando assumimos o trabalho no Centro, existia uma preocupação muito grande em devolver vida para aquele território. Não apenas restaurar prédios, mas estimular ocupação cultural, circulação de pessoas, economia criativa e pertencimento. Centro Histórico não pode ser cenário vazio. Precisa pulsar.

P.M Você acredita que Salvador vive hoje um dos seus melhores momentos no turismo?

Gegê Magalhães: Acredito que vive um momento muito importante de reconstrução da autoestima turística. Salvador voltou a ser observada internacionalmente. Participamos de feiras globais, ampliamos relações com operadoras e companhias aéreas, fortalecemos a conectividade internacional e começamos a apresentar Salvador de forma muito mais estruturada ao mundo.

“O Centro Histórico é a nossa alma. Salvador nasceu ali. Prédios históricos não podem ser cenários vazios; o território precisa pulsar através de cultura e pertencimento.”

P.M O turismo hoje vai muito além do lazer.

Gegê Magalhães: Totalmente. Hoje falamos de economia criativa, geração de emprego, fortalecimento cultural, urbanismo, mobilidade, ocupação inteligente dos espaços urbanos. O turismo movimenta uma cadeia gigantesca. E Salvador possui um diferencial muito poderoso: autenticidade. O mundo busca exatamente isso hoje.

P.M E quais segmentos você acredita que ainda têm muito potencial de crescimento?

Gegê Magalhães: Afroturismo, turismo religioso, turismo náutico, turismo de experiência, turismo LGBT, turismo de negócios e eventos. Salvador possui vocação natural para muitos mercados. Nossa missão é transformar potencial em permanência média maior, geração de receita e desenvolvimento sustentável para a cidade.

P.M Você fala muito sobre pertencimento. Isso também faz parte da estratégia turística?

Gegê Magalhães: Completamente. Uma cidade só consegue encantar quem vem de fora quando quem mora nela também sente orgulho de pertencer. O turismo começa no morador. Quando o soteropolitano ocupa os espaços, vive a cidade, valoriza sua cultura e sua história, isso naturalmente se transforma em experiência para quem visita Salvador.

P.M Em meio a tudo isso, você também entrou na política eleitoral pela primeira vez.

Gegê Magalhães: Foi uma experiência muito importante. Receber quase 6 mil votos mostrou que existe uma conexão verdadeira construída ao longo da trajetória. Mas independentemente de cargo ou eleição, continuo acreditando no trabalho, na presença e na construção coletiva da cidade.

P.M Qual Salvador você sonha para os próximos anos?

Gegê Magalhães: Uma Salvador ainda mais viva, ocupada, segura, conectada com sua ancestralidade e preparada para o futuro. Uma cidade que consiga crescer economicamente sem perder sua essência. Salvador não precisa copiar ninguém para ser global. Ela só precisa continuar sendo profundamente ela mesma.

P.M E no fim de tudo… o que conecta Salvador?

Gegê Magalhães: O coração. Sempre. Porque Salvador não é uma cidade que apenas se visita. Salvador é uma cidade que se sente.

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